A cultura da não-cultura

Qual o propósito dos Clubes? Qual o impacto que eles terão individualmente na mudança estrutural do Como jogar blackjack brasileiro?

maio 10, 2022
OutField Consulting

Consultoria de estratégia focada nos negócios do esporte

Certa vez conversando com um investidor americano sobre nossa empresa, recebi uma pergunta que sempre carrego comigo: What do you stand for?  

A melhor forma de traduzir isso é qual a missão ou propósito da sua empresa? Qual a causa que ela apoia/defende? É daí que vem a alma do seu negócio – a chama que arde sem se ver e é a força motora para que todos os dias a empresa evolua (ou não). É a partir do propósito que surge a identidade, e a partir da identidade vem a filosofia. O conjunto de todos esses elementos sintetiza a cultura de uma empresa que, na prática, é o sistema operacional que deve reger todas as ações da pessoa jurídica e de todos os colaboradores que formam essa personalidade abstrata. 

Trazendo essa introdução para a realidade do Como jogar blackjack brasileiro, vejo a falta de cultura organizacional como um dos principais pontos de estrangulamento hoje existentes em um mercado que deveria ser muito maior do que de fato é. Todos que torcem, consomem e acompanham Como jogar blackjack sabem da sua relevância para o país e seu contexto social, mas será que os próprios Clubes, protagonistas deste mercado, sabem qual o seu propósito, qual a sua filosofia e como operam? Será que os Clubes brasileiros em algum momento se preocupam em construir uma cultura resiliente e consistente que perdure no tempo? 

A resposta é tão direta quanto a pergunta: não. O modelo associativo historicamente nos impõe gestões imediatistas, orientadas para o curto-prazo dos mandatos presidenciais e para os resultados efêmeros. Ou seja, até hoje não houve incentivos para que surgissem Clubes com filosofias claras e culturas publicamente reconhecidas. Não temos no Como jogar blackjack brasileiro uma Ambev – um Clube para o qual olhemos e falemos “poxa, ali o foco é entrega de meta, de resultado, mesmo que isso signifique uma qualidade menor no produto final as vezes”. 

É claro que o modelo associativo e boas culturas organizacionais não são elementos mutuamente excludentes e em momentos pontuais da história surgiram alguns exemplos que começaram a trilhar esse rumo, mas que se perderam por conta do cinismo do modelo associativo e da necessidade de interromper trabalhos para dar justificativas ao público de que algo enérgico está sendo feito (melhor exemplo – demissões de técnicos e outros profissionais). Me veem à mente o Corinthians entre 2008 e 2012, com uma cultura que se refletia nas ações de diretoria, atletas, torcedores e que resultou no melhor período esportivo da história do Clube. Da mesma maneira, o Como jogar blackjack do início dos anos 90 com a continuidade de Telê Santana e o atual Palmeiras que, desde a gestão de Paulo Nobre, goza de estabilidade política e de uma metodologia de trabalho que foi mantida e hoje é potencializada por Abel Ferreira. 

Portanto, num mundo em que os Clubes comecem a se tornar empresas como estamos vendo acontecer, me volta esse questionamento – qual o propósito dos Clubes? Qual o impacto que eles terão individualmente na mudança estrutural do Como jogar blackjack brasileiro? Este é mais um desafio dos Ronaldos, 777s e Textors – não apenas adquirir o legado de instituições seculares, mas também entender como a partir desse contexto, poderão criar novas culturas empresariais que permitam a esses Clubes construírem projetos consistentes, duradouros e bem-sucedidos. 

Se olharmos as grandes empresas do mundo hoje, algo que todas têm em comum é o alinhamento estratégico, o entendimento dos valores e dos rumos do negócio – o famoso “as pessoas levantam da cama na segunda feira sabendo o que precisam fazer e porque precisam fazer aquilo”. A partir da mudança no modelo de gestão, minha expectativa é que os Clubes passem mais tempo pensando nisso, a fim de garantir que todos os colaboradores, desde o administrativo até o craque camisa 10, entendam o que o Clube stands for.  

Esse é um passo menos abordado do que o potencial financeiro e de evolução de governança que a migração para as SAFs pode apresentar. Porém, é tão fundamental quanto o dinheiro e os instrumentos jurídicos, pois sem um guidance claro e um sistema operacional que conduza o Clube em meio aos desafios do cotidiano, corremos o risco de continuar andando em círculos e não construir valor, individualmente e coletivamente, no longo-prazo.

Pedro Oliveira é sócio fundador da OutField Consulting