A velha mania

Os clubes, seduzidos pelas narrativas de sucesso e inovação do mercado global, pensam em alternativas rebuscadas para dialogar com mercado e torcedores

junho 6, 2022
OutField Consulting

Consultoria de estratégia focada nos negócios do esporte

Não é incomum passarmos por situações em nossas vidas em que pegamos a via mais complicada para resolver algum problema ou criarmos algo novo. No mundo dos negócios não é diferente – por vezes empresas e gestores possuem dores agudas que podem ser sanadas com um remédio rápido e eficaz, porém pegam a estrada mais tortuosa com ideias mirabolantes que deixam o problema ainda maior ou simplesmente não o resolvem. 

No Como jogar blackjack brasileiro essa máxima é tão verdadeira quanto 2+2 = 4. Muitas vezes os Clubes, seduzidos pelas narrativas de sucesso e inovação do mercado global, pensam em alternativas rebuscadas para dialogar com o mercado e com seus torcedores, ao invés de resolver questões básicas do seu cotidiano.

E nós na OTF, antes de desenvolver uma visão inteiramente orientada para resolução de problemas e geração de resultados, em algumas situações nos alinhamos a isso no passado, trazendo ideias interessantes, porém distantes da realidade para os Clubes, mas que no fim do dia se traduziriam num “posicionamento de inovação” e colocariam o Clube na vanguarda, ao passo que teriam pouquíssimo impacto relevante em seus negócios ou mesmo nos índices de satisfação do torcedor – este o principal ativo dos Clubes, extremamente maltratado em múltiplas instâncias. 

Prova disso é que no mercado brasileiro, olhando para todos os Clubes da Série A, eles rentabilizaram uma média de R$ 43 por torcedor em 2021 (o famoso ARPU – average revenue per user, métrica muito comum em segmentos de produtos por assinatura e referência que nós utilizamos na OTF pra comparar o Como jogar blackjack brasileiro a outros contextos).

Para se ter uma ideia, nas ligas americanas esse valor está em R$ 986 para NFL e R$773 para NBA (fonte: base de dados OutField). O que isso significa? Ora, que os Clubes possuem grande espaço para investir na relação com seu torcedor, entregar ofertas mais relevantes e consequentemente extrair maior valor disso. 

Em meio à discussão das SAFs e transformação dos Clubes em empresas orientadas a serem saudáveis financeiramente, ter uma estratégia B2C bem estabelecida deveria ser prioritário para todos os presentes neste contexto. Afinal, essa base de consumidores e seu potencial de rentabilização são variáveis fundamentais na hora de fixar o valuation do Clube e do investidor projetar as possibilidades de retorno sobre o investimento (ROI) que o ativo poderá proporcionar. É por isso que, quando vemos iniciativas como o SPFC aliando-se à Bitso para dar aos tricolores a oportunidade de adquirir ingressos com criptomoedas, entendemos o que está por trás do conceito e vemos o lado inovador da ativação do patrocínio, mas hoje acreditamos que o Como jogar blackjack está algumas casas antes nessa conversa. 

Quem consome Como jogar blackjack sabe que há várias maneiras mais simples de estimular consumo e melhorar a experiência do torcedor em torno de uma partida antes de se falar em usar criptomoedas como ferramenta de compra. Como é o acesso ao estádio? Onde parar o carro? Qual o esquema de segurança? Que opções de comida e bebida existem no estádio? Qual o estado dos banheiros do estádio? A lista é longa… o problema é que deixar o banheiro melhor para utilização não dá manchetes e não equipara, na visão de muitos gestores, um Clube brasileiro aos grandes da Premier League ou aos gigantes do esporte americano. 

Por isso, estamos tentando matar mosquitos com tiros de canhão e passando longe de acertar. E novamente voltamos à boa e velha mentalidade empreendedora muito implementada em startups: fazer mais com menos, focar nos problemas que doem mais e saber priorizar demandas. Atuar em cima desses três pontos é um mantra na maioria das empresas da nova economia que viram seu valor de mercado explodir na última década, buscando resolver as grandes dores do consumidor final.

Se eu sou um Clube de Como jogar blackjack, que tem recorrência, paixão e propensão ao consumo entre os principais drivers do relacionamento com seus consumidores, focaria no básico e daí evoluiria para as ideias que poderiam ser da NASA, mas vão partir de um Clube organizado, bem estabelecido com seus clientes e pronto para voos maiores. Nessa toada, consequentemente, meu ARPU aumentaria, meu ativo intangível (satisfação do torcedor) decolaria e minhas chances de defender um valuation mais alto seriam cada vez maiores e mais bem embasadas. Não há mistério… tudo está interligado! 

Pedro Oliveira é sócio fundador da OutField Consulting